29/10/2012

Ex aluno de Engenharia Civil da UNESP-Ilha Solteira, eleito prefeito de Rio Branco

Marcus Alexandre: o gestor não pode ter medo de tomar as decisões

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“Existem problemas em Rio Branco que precisam ser enfrentados com experiência administrativa e com sensibilidade política”
O engenheiro civil Marcus Alexandre Médici Aguiar é natural da cidade de Ribeirão Preto (SP) chegou ao Acre há 12 anos, um ano depois de formado e hoje coordena duas das maiores ações de infraestrutura do Estado, a de pavimentação da rodovia BR-364 e o Programa Ruas do Povo, que prevê a pavimentação de todas as ruas das cidades acreanas.

Ele também é um dos nomes cotados a disputar candidato da Frente Popular do Acre na disputa pela prefeitura de Rio Branco. Seu nome é defendido pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pode ser homologado como tal já nos primeiros meses de 2012.

Marcus Alexandre estudou na faculdade de Engenharia Civil de Ilha Solteira, localizada na divisa do Estado de São Paulo com Mato Grosso do Sul. Formou-se aos 21 anos e meio. O aniversário de 22 anos ele já completou no Acre. 

Veio para o Estado seguindo o conselho de um professor acreano que lhe falou do projeto de desenvolvimento que se iniciava naquele momento no Estado. “Esse professor era de Xapuri, ele falava muito bem do Acre e dizia que tinha assumido uma equipe nova no governo e que essa equipe estava com bons propósitos e com um projeto inovador. Daí, eu me entusiasmei e vim pra cá. Fui trabalhar na Secretaria de Planejamento, fiquei lá por oito anos. Em 2007 eu vim para o Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre) e estou aqui até agora”, contou.
Marcus Alexandre hoje é uma das pessoas que mais conhece o Acre. Durante os 12 anos que mora no Estado conheceu os 22 municípios em suas minúcias. Só esse ano fez 39 viagens de carro de Rio Branco a Cruzeiro do Sul e já percorreu, com o Ruas do Povo, 31 bairros da capital, rua por rua. O Opinião conversou com o engenheiro, oportunidade em que ele falou sobre os projetos que coordena e sobre a possibilidade de vir a se tornar o prefeito de Rio Branco. Veja a seguir os principais trechos da entrevista:

Opinião - Você está à frente da maior obra de infraestrutura do governo do Estado, que é de pavimentação da BR-364. Como gerenciar esse grande projeto sendo tão jovem?

Marcos Alexandre - Uma coisa eu aprendi muito no trabalho da BR-364. Aprendi que a gente nunca pode perder a humildade. A gente acha que sabe muito até que se depara com situações que não encontramos nos livros e que não foi debatido nas universidades e isso a BR nos ensinou, aliás, eu acho que ensinou a todos aqui do Deracre.

A gente tem que saber ouvir as pessoas e a obra da rodovia foi uma construção assim, pois a gente não tinha uma solução tecnológica pronta. Nós tivemos que desenvolver soluções para cada situação que nos deparamos. Muitas vezes as comunidades e as pessoas diziam que esse ou aquele rio subia até a cota tal. Daí a gente via nos mapas cartográficos e aquela informação não batia, mas o que era certo era aquela informação do morador, pois ele sabia com exatidão o nível da água, sabia quando tinha sido a máxima cheia e a gente ouvia e fazia como eles nos diziam.

Em outros casos, eles nos diziam onde tinha um material melhor em tal ramal, em tal local que a gente não tinha conhecimento. Então, tivemos que aprender a ouvir. Além disso, foi preciso valorizar a equipe. Logo que assumi aqui no Deracre, a primeira coisa que fiz foi reunir a equipe da casa e envolver todos os engenheiros na obra da 364. Talvez pudéssemos importar engenheiros para construir a BR, mas isso não teria sido correto para com a história do Deracre para com a história do Estado e para com o conhecimento dessas pessoas.

Nós temos aqui engenheiros como o Fernando Moutinho que o que ele tem de experiência é o que eu tenho de idade, ele tem mais de 30 anos de engenharia e eu tenho apenas 34 anos.  São esses engenheiros com mais experiências que trabalham na 364.
Opinião - Você tem medo de tomar certas decisões? 

Marcos Alexandre - Você não pode ter medo de tomar as decisões. Numa função como essa, o gestor tem que ser firme nas decisões, não pode ter medo dos desafios e nem de tomar as decisões no momento certo, pois se você protelar, atrasar ou adiar uma decisão importante, pode perder o tempo da história.
Opinião - E quanto ao Ruas do Povo, como é estar à frente desse programa?

Marcos Alexandre - O Ruas do Povo é um desafio talvez maior do que o de pavimentação da BR-364, porque é como se fosse uma nova BR sendo construída. Só em Rio Branco são 303 quilômetros de ruas que têm que ser pavimentadas. Isso representa um pouco mais da metade do que a gente fez na 364. A diferença é que em Rio Branco, em 171 bairros, cada um com a sua realidade diferente, cada um com sua dificuldade em relação às bacias hidrográficas, em relação à drenagem e em relação à solução de água e esgoto.

E o que estamos fazendo para vencer esse desafio? Nós estamos andando nos bairros, conversando com as pessoas, levando os técnicos para conhecer a realidade nesse período chuvoso, que é o momento mais difícil. Essa conjuntura é que colabora para o sucesso do empreendimento.
Opinião - Você é cotado para ser candidato a prefeito de Rio Branco pela Frente Popular. Como será enfrentar mais esse desafio?

Marcos Alexandre - Tem um processo ainda em curso pela Frente Popular que está sendo conduzido pelo governador Tião Viana e pelo prefeito Raimundo Angelim. E nesse processo existe ainda o nome da deputada Perpétua Almeida, do deputado Sibá Machado e o nosso, que está em análise. No momento certo a Frente vai se decidir e eu espero que a decisão que seja tomada, seja qual nome for, seja um consenso para que isso fortaleça a unidade de todos os partidos, pois a força da Frente Popular está nos partidos.

Quanto ao meu nome, eu me sinto muito honrado de ter sido lembrado. A gente que vem do campo técnico e da ação governamental, nunca pensaria sequer ser um pré-candidato como hoje estou colocado. E se o Partido dos Trabalhadores e a Frente Popular decidirem que eu serei a pessoa para levar o projeto à frente, para dar continuidade às ações do prefeito Angelim, se isso for um consenso, eu vou encarar como um desafio de vida. Eu não tenho medo dos desafios. Já enfrentei desafios grandes como a BR e o Ruas do Povo e tantos outros desafios grandes que enfrentamos nos últimos anos, então, não tenho medo dos desafios e tenho coragem para enfrentar os problemas. Repito, se o meu nome for escolhido, vou encarar como desafio de vida.
Opinião -  Qual o problema que você considera ser o maior na cidade de Rio Branco? 

Marcos Alexandre - Eu vejo que Rio Branco precisa melhorar em muitos setores. O prefeito Angelim avançou em pontos importantes, mas há outros que precisam de atenção. Eu cito, por exemplo, a questão da regularização fundiária. Nós não podemos continuar com a cidade com quase 70% dela ainda em situação irregular, ou seja, são loteamentos, são imóveis particulares que não estão devidamente regularizados.

Eu acho que a regularização fundiária tem que entrar na pauta da próxima gestão da prefeitura, porque isso dá a segurança jurídica para as pessoas, aumenta a oferta de crédito, faz com que você possa transformar o seu imóvel num ativo econômico.

Então, a regularização fundiária é muito importante para o desenvolvimento da cidade. Os desafios de infraestrutura em Rio Branco são grandes ainda. Nós temos aí 303 quilômetros de rua para serem pavimentadas levando um grande desafio que o prefeito tem que encarar ao lado do governador para conseguir chegar esses investimentos nos bairros. Eu acredito que a nossa experiência pode colaborar muito.

Outra questão importante é a do trânsito. Rio Branco hoje sente os problemas de uma grande cidade, mesmo que ainda não seja, por conta da nossa malha viária e por conta do crescimento do número de veículos na cidade que é muito superior ao crescimento da população.

Esses são problemas que precisam ser enfrentados com experiência administrativa e com sensibilidade política. Eu tenho certeza que se o meu nome for escolhido eu terei uma grande possibilidade real de contribuição para que a cidade continue no caminho certo como está hoje.
Marcus Alexandre estudou na faculdade de Engenharia Civil de Ilha Solteira, localizada na divisa do Estado de São Paulo com Mato Grosso do Sul. Formou-se aos 21 anos e meio. O aniversário de 22 anos ele já completou no Acre.

Veio para o Estado seguindo o conselho de um professor acreano que lhe falou do projeto de desenvolvimento que se iniciava naquele momento no Estado. "Esse professor era de Xapuri, ele falava muito bem do Acre e dizia que tinha assumido uma equipe nova no governo e que essa equipe estava com bons propósitos e com um projeto inovador. Daí, eu me entusiasmei e vim pra cá. Fui trabalhar na Secretaria de Planejamento, fiquei lá por oito anos. Em 2007 eu vim para o Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre) e estou aqui até agora", contou.
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