13/08/2012

Casa Ambulante...

Sorriso não falta depois que casal resolveu morar em um ônibus

 
Meire e Enio, na casa que levam para todo lugar.
Não há uma foto sem o sorriso estampado no rosto depois que Enio Oliveira e Rosimeire Patussi resolveram abandonar a vida convencional, trocando a casa por um motorhome. Há um ano, eles largaram o certo pelo duvidoso, apesar de algumas limitações, como a deficiência física de Meire, mas não se arrependeram.
Os dois chegam a visitar 13 cidades a cada 5 semanas, felizes da vida. As vantagens, conta o marido de 44 anos, são tantas que nem é possível fazer uma comparação com os dias de endereço fixo. “A gente nem precisa voltar de festa, fica estacionado ali mesmo e dorme. É uma liberdade que buscava há 10 anos, não tem preço”.
Até os negócios do representante comercial melhoraram, depois que passou a levar as casa junto. “Se tenho de visitar um cliente às 7 horas, por exemplo, já vou de noite para o local e de manhã acordo já no endereço”, comenta.
Hoje o casal está em Dourados, amanhã vai para Fátima do Sul e só em 10 dias deve aparecer aqui por Campo Grande, terra natal de Enio.
Meire nasceu em Coxim, com paralisia cerebral que comprometeu a coordenação motora e a locomoção. A nutricionista de 39 anos tem dificuldade para andar, mas uma coragem de dar inveja.
“Se não fosse o motorhome, eu ia viajar pelo mundo de outro jeito, nem que fosse de hotel em hotel”, diz com jeito firme.
Os dias que passa entre uma cidade e outra, ela escreve um livro, sobre o que a vida já rendeu. “Preciso de um dia para contar meus dramas, mas não é isso que tem importância para mim. Todos passos que resolvi dar, foram difíceis, mas sempre fiquei com o que tinham de bom o de ruim eu descartei. Mesmo assim, converso 10 minutinhos e a pessoa já sai dizendo que nunca mais vai reclamar da vida”, diz sorrindo.
Por onde passa, novos amigos chegam para conhecer a vida diferente.
Mila é a "filha" do casal que está junto há 4 anos.
Os dois se casaram há 4 anos, moraram um tempo com a mãe dela em Coxim, depois alugaram uma casa e em dezembro do ano passado compraram o ônibus adaptado em Porto Alegre.
Dentro, há de um tudo. Todos os eletrodomésticos que uma dona de casa precisa, inclusive o aparelho de depilação para as andanças não abalarem a vaidade de Meire.
Em praças, pátio de igrejas, postos de combustível ou na rua mesmo, os dois encontram lugar para o veículo de 12 metros. Enio atende aos comerciantes da região e depois os dois seguem para descobrir o que cada cidade tem de especial e divertido. Católicos, eles ainda conseguem assistir missa, pelo menos uma vez por semana.
A única dificuldade é quando a casa resolve quebrar. “Ficamos dias dormindo na oficina. Foi engraçado. O dono fechava e a gente ficava ali, do café até o jantar”, lembra Enio.
A principal companheira é Mila, a poodle branca adotada pelos dois, mas as visitas costumam animar os dias do casal. “Nunca tive tanto amigo. Onde a gente chega, as pessoas recebem bem e querem conhecer nossa casa. A maioria diz que tem vontade de viver assim, mas não tem coragem”, diz o marido.
Eles não pagam IPTU, água é doação dos postos de combustível onde param e a energia é gerada pelo próprio veículo. O maior gasto é com o diesel, cerca de R$ 600,00 por mês. “É muito mais barato viver assim”, garantem.
Agora, o casal quer reunir outros “motor homeiros” para criar o Clube do Motorhome em Mato Grosso do Sul e assim conquistar mais estrutura para quem sai por aí com a família, nessa aventura de morar em qualquer lugar. “Precisamos de mais campings para esse tipo de veículo, aqui não tem essa cultura”, reclama Enio.
Mas é a única reclamação durante toda a conversa. Por fim, os dois preferem comemorar a vida. “Já tive dinheiro, cai. Mas aprendi que para ter qualidade e felicidade não preciso ter patrimônio. A gente só tem de ter coragem”, resume Enio.
Compartilhar:
← Postagem mais recente Postagem mais antiga → Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário

Total de visualizações

Previsão do tempo