09/07/2012

Revolução de 1932 em Mato Grosso...



O Estado de Maracajú e o Movimento Constitucionalista de 1932

(Sérgio Righi)
Em 1932, São Paulo procurava formar uma aliança com outros estados para exigir do governo provisório de Getúlio Vargas que o Brasil voltasse ao regime constitucional.
Tomando a dianteira, na esperança do apoio de outros Estados, como o Rio Grande do Sul e Minas Gerais, São Paulo deflagrou a 9 de julho o Movimento Constitucionalista, que contou com a adesão da maioria dos militares sediados no sul de Mato Grosso, bem como da maioria de  seus líderes civis (Nota 1).
O General Bertoldo Klinger comandava a Circunscrição Militar de Mato Grosso e suas constantes críticas ao Presidente Getúlio Vargas culminaram na sua exoneração, mas com a deflagração do movimento, ele foi escolhido para assumir o comando supremo das Forças Constitucionalistas.
O fato de existir um movimento divisionista no sul do Mato Grosso em relação ao governo de Cuiabá juntamente com a disposição dos líderes civis e militares em apoiar o movimento contra o governo provisório propiciou que fosse instalado o Estado de Maracajú, tendo como capital a cidade de Campo Grande.
Em sessão solene, realizada no dia 11 de julho de 1932, a sede do governo foi instalada na Loja Maçônica Oriente Maracajú localizada na Av. Calógeras entre a Av. Afonso Pena e Rua 15 de Novembro.
Como governador, assumiu o Dr. Vespasiano Barbosa Martins, médico de renome; como secretário-geral, o Sr. Arlindo de Andrade Gomes; como prefeito de Campo Grande, o Sr. Artur Mendes Jorge Sobrinho; e como Chefe de Polícia, o Sr. Leonel Velasco.
Em Paranaíba, os constitucionalistas destituíram o prefeito e formaram um grupo de resistência.
Sem uma fronteira definida com o norte do Mato Grosso, visto existirem outras necessidades mais urgentes, o recém-empossado governo organizou tropas, principalmente de civis, para abafar os movimentos em favor do governo provisório de Getúlio Vargas, principalmente em Bela Vista e Porto Murtinho.
Do ponto de vista estratégico, o apoio do sul do Mato Grosso era de suma importância, pois permitiria através da navegação pelo rio Paraguai, exportar a produção paulista, principalmente o café, e importar insumos e armas.
A adesão ao alistamento voluntário foi muito grande, conforme depoimento do combatente Emílio Garcia Barbosa: “Só da família Barbosa quatrocentos homens apresentaram-se para a luta, para a volta do regime da legalidade. (...) Oitocentos homens novos e dispostos enfileiraram-se na Avenida Afonso Pena para esperar o armamento e munição. E ela não veio, poucos e velhos fuzis foram distribuídos, mal deram para armar trezentos homens”.  Os excedentes foram dispensados.
Vários batalhões foram formados e se dirigiram para diversas partes do Estado.
O batalhão Gato Preto composto por cerca de 400 homens, comandado por Henrique Barbosa Martins, foi para a região conhecida atualmente como Cassilândia (na serrania das Morangas), com o objetivo de impedir a invasão das tropas ditatoriais vindas de Goiás e de Minas Gerais e que pretendiam tomar Três Lagoas, considerada importante entroncamento ferroviário.
Mesmo recebendo reforços de tropas regulares, foram obrigados a recuar para o porto do Galeano, posteriormente para o rio Quitéria e finalmente até o rio Sucuriú. Mesmo assim, o batalhão Gato Preto não permitiu que a cidade de Caçula, como era chamada Três Lagoas na época, fosse tomada pelas tropas ditatoriais vindas de Goiás e Minas Gerais.
O batalhão Saravi comandado por Antônio Alves Correia e Etalívio Pereira Martins guarneceu o porto XV de Novembro.
O batalhão Antônio João, dos garimpeiros de Rochedo, comandado pelo capitão João Pessoa Cavalcanti rechaçou em Coxim a força policial vinda de Cuiabá contra Campo Grande.
A Coluna de Bronze foi formada por militares e civis para combater os ditatoriais de Bela Vista, tomar Porto Murtinho e em seguida o Porto Esperança. Tinha como comandante militar o major Silvestre e como comandante civil, o Sr Altivo Barbosa Martins (Kiki Barbosa). Depois de tomar Bela Vista, a Coluna sitiou Porto Murtinho sendo, porém rechaçada. Enquanto esperavam melhores condições para contra-atacar, foi assinado o armistício em 2 de outubro de 1932.

Em virtude da derrota dos Constitucionalistas, a separação do sul do Mato Grosso com restante do estado existiu somente durante o período de 11 de julho a 2 de outubro de 1932, porém como o movimento divisionista era originário de épocas anteriores ao Movimento Constitucionalista, ele permaneceu ativo até que no dia 11 de outubro de 1977 o estado de Mato Grosso do Sul foi criado através de Decreto-Lei assinado pelo Presidente Ernesto Geisel, e implantado oficialmente em 1º de janeiro de 1979.


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